ACORDO ORTOGRÁFICO

Base I

Aportuguesamento de nomes de lugares

Recomenda o acordo na sua Base I que os topónimos (nomes de lugares) de línguas estrangeiras se substituam, tanto quanto possível, por formas portuguesas quando estas sejam antigas e ainda vivas ou quando entrem, ou possam entrar, no uso corrente. O texto do acordo dá os seguintes exemplos: Anvers, substituído por Antuérpia; Cherbourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Jutland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Munique; Torino, por Turim; Zürich, por Zurique.

Trata-se duma recomendação. Se alguém escrever, por exemplo, Genève em vez de Genebra, não se poderá dizer que cometeu um erro. No entanto, é difícil de perceber o uso de Genève, quanto temos a forma portuguesa antiga Genebra e porque a cidade tem, pelo menos, três nomes na Suíça, país a que pertence. Esses três nomes são Genève em francês, Genf em alemão e Ginebra em italiano

Existem algumas divergências entre os vários países de língua portuguesa no aportuguesamento de nomes de lugares de outras línguas. Aqui vão alguns exemplos:

Não exageremos estas divergências. Elas existem, mas na grande maioria dos nomes de outras línguas de países e cidades que têm formas portuguesas não existe diferença entre os países lusófonos. Em todos London é Londres, La Habana, capital de Cuba, é chamada Havana, etc.

Nunca deverá existir total convergência nesta questão do aportuguesamento de topónimos de língua estrangeiras. Por exemplo, no caso do nome da capital da Rússia, os portugueses trocaram Moscou por Moscovo. Por que razão haveriam os brasileiros de abandonar esta forma que nós pusemos de lado? Certamente vão continuar a dizer e escrever Moscou.

Em países africanos de língua oficial portuguesa há nomes de localidades que pertencem a línguas locais. Não é fácil aportuguesar alguns. É o caso de Chókwè em Moçambique. Por outro lado, há o desejo de dar importância às línguas africanas; por isso, há topónimos escritos nesses países com a ortografia dos idiomas a que pertencem. É assim que em Angola vemos as palavras Kwanza e Kuando-Kubango, que,  antes da independência do país, aprendemos em Portugal a escrever Cuanza e Cuando-Cubango.

É assunto interessante este do aportuguesamento de topónimos de línguas estrangeiros. São quase inevitáveis algumas divergências, mas não são muito numerosas. O acordo estabelece muitas regras a seguir, mas neste ponto, sensatamente, ficou-se por recomendações.

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